A MULHER DO QUARTO E O HOMEM DO MATO
PRATICAS EDUCATIVAS EM INHAMBANE
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID43411Palavras-chave:
educação, Inhambane, práticas educativas, história socialResumo
O presente ensaio analisa as práticas educativas na região de Inhambane até ao início do século XX, com base em fontes históricas e etnográficas. Parte-se do pressuposto de que as sociedades locais dispunham de sistemas educativos estruturados, ainda que distintos do modelo escolar ocidental, articula dimensões sociais, culturais, económicas e simbólicas. Evidencia que a educação era predominantemente informal e comunitária, organizada em múltiplas instâncias, como os ritos de iniciação, a aprendizagem prática e as instituições culturais. Ao mesmo tempo, demonstra-se que processos históricos como o tráfico de escravos, as dinâmicas do Mfecane e a penetração colonial influenciaram profundamente essas práticas, provocando continuidades e rupturas. Conclui-se que a educação em Inhambane deve ser compreendida como um sistema dinâmico e adaptativo, cuja lógica interna se orientava para a formação de sujeitos socialmente integrados.
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